Os 5 Jogos Favoritos de 2015 – #4 – Halo 5

Embora sempre tenha gostado das séries de artigos sobre “Jogos do Ano” que as publicações fazem no final de um ano ou no inicio do outro, não gosto da terminologia.

Declarar que um jogo é “o jogo do ano” implica que joguei todos os outros. Uma tarefa impossível nos dias que correm.

Assim, adotando a estratégia famosa da Carsberg, decidi fazer uma série de artigos sobre os meus cinco jogos favoritos do ano que passou – provavelmente os melhores jogos do ano.

E o número 4 é…

Halo 5: Guardians

Tenho uma relação muito pessoal com a série Halo. Uma relação que vem desde o tempo em que tinha dúvidas em relação à Xbox original. As minhas dúvidas não eram tanto em relação à consola em si, mas em relação ao que ela representava: uma americanização dos vídeo jogos que eram a minha paixão.

Cresci com os jogos franceses e britânicos que caracterizaram a era do Commodore Amiga, e amadureci com as produções japonesas que faziam brilhar a MegaDrive, a Saturn, e a Nintendo 64… Temia que o possível sucesso da Xbox viesse popularizar e massificar os jogos mais estéreis, menos coloridos e imaginativos que eu entendia representar o mercado americano. E em consequência, aproximar o jogo Europeu e Japonês da extinção.

Portanto este meu desassossego afastou-me da Xbox. Até me oferecerem uma pelo Natal. Com (naturalmente ) o Jet Set Radio Future e o Halo original.

Quem me siga no ene3cast ou até nos fóruns e grupos de Facebook que frequento já estará careca de ouvir a história de como liguei a Xbox com o Halo só para ver mais ou menos como era, e fiquei então a jogar até, de repente, me aperceber que estava o Sol a nascer.

Isto é um Guardian. Não se luta contra os Guardians no jogo, porque eles são maiores que cidades - mas a determinada altura anda-se em cima de um.

Isto é um Guardian. Não se luta contra os Guardians no jogo, porque eles são maiores que cidades – mas a determinada altura anda-se em cima de um.

Mas tenho muito mais investimento emocional na série do que esse único evento. O Halo original também foi o único jogo que joguei do principio ao fim em modo cooperativo com o meu primo, antes das nossas vidas pessoais tomarem rumos que tornam muito difícil a existência de sessões de jogo prolongadas.

Jogá-lo tornou-se um ritual anual. Entre o Natal e o Ano Novo, quando a vida acalma um bocado, acabo sempre por o jogar mais uma vez, do principio ao fim. Foi um hábito que começou com o clássico Megadrive da Treasure, Gunstar Heroes; que foi mais tarde substituído pelo Guardian Heroes para Saturn; e desde 2002 que os jogos da lendária produtora japonesa foram substituídos pelo Halo neste meu ritual.

E é esta a razão pela qual gosto sempre de jogar os novos jogos da série, e é sempre um prazer jogá-los. Porque, apesar de ter mudado de mãos nos últimos anos, a série manteve-se relativamente fiel às suas origens. Não falo do modo de múltiplos jogadores, que nunca me interessou.

Falo das campanhas. Não pela sua história, de que mal me lembro, mas pelas suas mecânicas, pela sua fluidez.

A história de Halo é a de um gajo numa armadura super-poderosa a matar criaturas alienígenas com uma selecção variada de armas. Ao menos no que me diz respeito.

A história de Halo é a de um gajo numa armadura super-poderosa a matar criaturas alienígenas com uma selecção variada de armas. Ao menos no que me diz respeito.

Não foi por acaso que Halo substituiu os jogos da Treasure no meu ritual. É um jogo dramaticamente diferente, de um gênero completamente diferente, mas no entanto é sensorialmente semelhante. Sinto as mesmas sensações, a mesma elação quando jogo um Halo.

Sabe sempre bem disparar as armas.

Sabe sempre bem navegar pelo mundo.

Os inimigos são quase sempre interessantes, reagem de forma interessante.

Os cenários são quase sempre complexos o suficiente para despertar apetite por explorar as várias aproximações possíveis, sem se tornarem intimidantes.

Inimigos com escudos normalmente são irritantes em quase todos os jogos. Nos Halo, são desenhados com vulnerabilidades suficientes para serem desafiantes sem se tornarem frustrantes - a menos que o jogador tenha uma mão cheia de granadas ou um lança-misseis. Azar.

Inimigos com escudos normalmente são irritantes em quase todos os jogos. Nos Halo, são desenhados com vulnerabilidades suficientes para serem desafiantes sem se tornarem frustrantes – a menos que o jogador tenha uma mão cheia de granadas ou um lança-misseis. Azar.

As combinações de inimigos com cenários com ferramentas disponíveis com o simples gosto e ligeireza com que se controla o protagonista cria uma experiência tão fluída, que à medida que vai sendo repetida transita de desafiante para emocionante para relaxante.

Halo é um jogo de tiros que é divertido mesmo que eu opte por jogá-lo do principio ao fim com a pistola inicial. Na verdade, pode ser especialmente divertido se eu assim o fizer.

Notará o leitor que já se passaram mais de dez parágrafos e ainda nada escrevi em especifico em relação ao escolhido 4º jogo favorito do ano. Mas no entanto sinto que disse tudo.

Os Proteans são a nova "terceira facção" de inimigos, introduzida no Halo 4 depois da erradicação dos mutantes / zombies "Flood". São muito mais fixes de matar, e vêem com o bónus de trazer armas diferentes. Mais armas. Sim.

Os Proteans são a nova “terceira facção” de inimigos, introduzida no Halo 4 depois da erradicação dos mutantes / zombies “Flood”. São muito mais fixes de matar, e há sempre o bónus de trazerem armas diferentes. Mais armas. Sim.

É que o 5 a seguir ao Halo não é de grande importância. A história é diferente, mas o miolo é o mesmo, os princípios fundamentais são os mesmos. As actualizações e alterações mecânicas são, na maioria dos casos, bem-vindas, mas no geral, mínimas.

É muito mais bonito do que os anteriores, claro. É assim que as coisas funcionam no mundo dos jogos.

Este é realmente “só mais um” Halo.

E isso era tudo o que eu queria.